Você tem medo do escuro?

255 Black Rose

Quando eu tinha 10 anos minha família e eu mudamos para uma cidadezinha de interior , a casa que íamos morar era meio assustadora principalmente à noite, ela tinha um quintal que tava mais pra jardim do que quintal, cerca de 10 metros quadrados só de “jardim” a casa tinha dois andares e um sótão grande. Eu tinha um irmão mais velho chamado Charlie ele tinha 15 anos. As primeiras noites naquela casa não foram tão assustadoras como eu pensava que ia ser, até estava gostando de lá. Nós nos mudamos na época das férias escolares então não chegamos a conhecer muitas crianças das nossas idades, o garoto que eu fiquei mais amigo era o Paul que tinha 12 anos, e morava na casa de esquina da rua. Ele era bem legal, mas não gostava muito de ir em casa.

Uns 3 meses depois que já estávamos morando lá meu pai resolveu reformar o quarto do meu irmão, então ele ficou no meu quarto algumas noites, em uma dessas noites eu estava quase caindo no sono quando meu irmão fez o favor de puxar meu cobertor só pra me zoar, então eu falei rindo

- Pare Charlie.

Passaram 2 minutos ele puxou de novo e eu disse mais uma vez

- Para não tem graça. Ele riu e então pediu desculpas, passou uns 30 minutos pra eu ficar com sono de novo, então quando eu estava quase dormindo de novo ele puxou e eu disse sério gritando;

- PARA CHARLIE, SE VOCÊ NÃO PARAR EU VOU PEDIR PRO PAI TE COLOCAR PRA DORMIR NA SALA.

Mas dessa vez não ouvi nenhuma risada, Charlie estava dormindo… Algo de baixo da minha cama puxou a coberta

Senti como se alguém estivesse sentado na minha cama prendendo a coberta, então peguei um crucifixo que eu sempre deixo de baixo do meu travesseiro e comecei a rezar.

Já estava quase amanhecendo e parecia que o que quer que fosse aquilo não saia da minha cama, conforme as horas iam passando eu ficava com dor no estomago forte, dor de cabeça e um calor insuportável por causa do meu medo, até que meu pai se levantou para ir trabalhar, eu chamei o nome dele e ele entrou no meu quarto, e me viu sentado.

- Você está bem?

- Mais ou menos?

- Acordou cedo!

- nem dormi…

- O que ouve?

- de noite ai onde você esta parecia que havia alguém sentado prendendo minha coberta, me assustei. To até agora sem dormir. Posso deitar com a mãe?

- Isso é coisa da sua imaginação - disse ele bravo - vai ir perturbar sua mãe pra que? Pode ficar ai e dormir mocinho!

Meu pai não acredita em coisas sobrenaturais, então tive que dormir no meu quarto mesmo.

8:30am

Desci e sentei-me como sempre no mesmo lugar para tomar café. Meu irmão me olhou com uma cara de ironia e disse:

- HAHA, crianção, não aguenta nenhuma brincadeira!

- como assim? - disse minha mãe curiosa.

- eu puxei a coberta dele de noite, e depois ele ficou pensando que era um espírito sentado na cama dele

- Eu sei que você puxou, mas depois que você dormiu parecia que havia alguém lá na minha cama, eu senti!

- CRIANÇÃO!

- PODE PARA CHARLIE! Não quero que você fique assustando seu irmão - disse minha mãe brava.

Depois disso subi bravo para o meu quarto e fui tomar banho para ir a escola. Quando estava no chuveiro senti um vento frio na minha nuca, mas a janela do banheiro não estava aberta.

Sei que pode parecer bobeira ou paranóia, mas quando eu sai do Box o chuveiro ligou de novo sozinho, mas como? Não sei o que foi aquilo mais aconteceu 3 vezes. Chamei minha mãe para ver, mais quando ela chegou, aquela coisa parou.

13:00pm

Fui para escola e avistei meu amigo Paul, contei tudo o que acontecera comigo e ele ficou em completo silencio. Sua cara era de medo, muito medo. Eu sabia que ele escondia algo só não sabia o que era às vezes ele era misterioso, tinha vezes que a gente brincava e ele simplesmente parava e ia embora pra sua casa e não saia de lá, seu olhar era fixo, meio obscuro, eu tinha medo dele, às vezes achava que ele era meio perturbado.

Nas aulas tudo ocorrera bem, quer dizer, nem tudo. As pessoas me olhavam de um jeito diferente, meus colegas estavam afastando-se de mim… Será que estava ficando louco? Poderia ser apenas um sonho! Mas não era.

Maldita vida!

Com o passar dos dias as coisas estavam piorando, eu via imagens, não posso definir mais eu as via. Eu escutava coisas, coisas horríveis. Meu corpo? Era cheio de marcas, mentira! Meu corpo tinha escritas, não sei o que era aquilo, não sei da onde surgiram. Uma vez eu fui orar peguei minha cruz, mais aquela coisa voltou, parecia que ela gostava de se diverti comigo. Eu segurei minha cruz com tanta força mais eu não conseguia me mexer não conseguia respirar, minha mão ia apertando cada vez a cruz, e começou a sangrar, mas eu não sentia a dor. Sorte que minha mãe chegou e me viu todo estático na cama ela ficou desesperada chamou a ambulância, parecia que eu estava pronto para um ritual, estava deitado na cama, sem respirar, meu rosto estava com as malditas marcas, eu não consegui respirar, desmaiei. 

“Estou em um lugar branco, será que eu morri?”

Não, era um hospital! Ouvi os médicos dizendo pra minha mãe que eu estava enlouquecendo.

Os médicos fazerem testes/cessões comigo, mas não me disseram nada, me mandara de volta pra casa em 3 dias, um dos enfermeiros perguntou pra minha mãe onde morávamos e ela disse onde era, ele arregalou os olhos e disse pra ela que era melhor procurarmos ajuda espiritual e nos deu o endereço de um moço, Juan. Quando cheguei em casa comecei a tomar uns remédio, não sei pra que, mas pra minha mãe e meu pai não ficarem bravos eu os tomava. Enquanto estava no hospital meus pais já haviam terminado a reforma no quarto do meu irmão. Então voltei a dormir sozinho. Na noite que eu voltei para casa ouvi passos no sótão que era em cima do meu quarto, fiquei muito assustado pensando que aquilo poderia ir me buscar. Meu irmão foi para o meu quarto correndo e pediu pra ficar lá comigo, eu o vi pela primeira vez morrendo de medo, eu disse que podia, mas perguntei o por que

- Há algo em cima do meu quarto, no sótão

- Aqui também tem!

- O que quer que seja lá esta pior, tem cheiro de lixo no meu quarto, mas a mãe e o pai não sentem. Ontem eu vi olhos amarelos me olhando de uma brecha da escada do sótão! Eu fiquei com tanto medo que nem fui ao banheiro! O que será que esta acontecendo aqui?

- Não sei, mas tem algo aqui que o Paul sabe e não quer me dizer!

- Vamos amanha perguntar pra ele

- Vamos!

Apesar do medo e do calor conseguimos dormir aquela noite.

No dia seguinte eu e meu irmão fomos até a casa de Paul logo de manhã, a mãe dele me olhou estranho e perguntou se eu estava melhor, e disse que sim! Então ela entrou para chamá-lo, passou uns 30 min. E nada dele sair, e o chamei de novo, então ele apareceu dizendo que tinha esquecido que eu o tinha chamado. Então eu disse:

- Você sabe algo sobre minha casa?

- Por quê? - disse espantado

- Porque parece que você sabe!

- Sei, mas eles não me deixam falar!

- Eles quem?

- Os que dormem!

- De quem você ta falando

- Do que te perturba de noite!

- Me diz o que ta acontecendo!

- Se eu disser algo muito ruim vai acontecer aqui em casa!

- Mais e eu?

- O enfermeiro te deu um endereço não foi? Porque você não o procura?

- Como você sabe?

- Simplesmente sei! Agora tenho que entrar!

Meu irmão e eu ficamos assustados com o que ele disse e resolvemos ir até o endereço, mas antes teríamos que descobrir onde minha mãe o colocou. Com muito custo o achamos antes das 2:00pm, fomos até o endereço e um senhor muito velho nos recebeu, ele tinha cara de ser mexicano.

- O que vocês querem?

- Procuramos pelo senhor Juan.

- Sou eu, o que querem?

- um enfermeiro nos deu seu endereço, disse para procurar o senhor!

- Hmm. Entrem.

Reparei algo quando entramos o senhor era cego e não tinha uma das pernas.

- Em que posso ajudar?

- Não sei! Acho que com nossa casa! - disse meu irmão ironicamente

- Em que casa vocês moram? - perguntou assustado

- Na 255 Black Rose street

O homem espantado e nervoso nos expulsa da casa dele aos gritos

- SAIAM AGORA!

- Mas porque, o que fizemos?

- vocês estão amaldiçoados desde o dia em que pisaram naquela casa, não quero que tragam aquilo pra cá. Já me deu trabalho o suficiente da ultima vez, não quero isso de novo! SAIAM AGORA!

- Cara louco - disse meu irmão -  vamos embora daqui antes que ele chame a policia, amanha a gente chama um exorcista.

Tinha algo de estranho nessa historia toda, porque justo nós? Resolvi voltar no outro dia.

No dia seguinte fui à casa do velho senhor, chamei, chamei, mas a casa parecia vazia. Bati na porta do visinho e ele me disse que o velho homem estava logo ali na igreja da esquina, eu fui até lá.

Chegando à igreja vi o aquele homem, deu pra reconhecê-lo  de longe por causa de sua perna. Sentei-me ao lado dele.

- Por que o senhor não quer falar com nós? O que está acontecendo?

- Por que vocês me procuraram? Foi ele quem falou?

- Ele quem?

- Aquele que te atormenta todas as noites!

- Você sabe? O que ele quer?

- O problema não são vocês mais sim o que aquela casa carrega. Há coisas lá dentro terríveis, e vocês são as próximas vitimas.

- Mais, o que eu posso fazer? Como? Eu não entendo!

- No início do século XIX Aquela casa era um lugar de bruxaria, colocavam altares, faziam magia negra e matavam pessoas como formas de sacrifício, faziam invocações para matar e tal, mas elas não sabiam que estavam libertando na verdade com tudo isso um demônio poderoso. Esse demônio para ser libertado, precisa comer muitas almas, precisa se alimentar de nossos medos! Eu era um pastor que morava na capital, vim para essa cidade para pregar a palavra para o povo daqui. Mudei-me para aquela casa e não sabia o que acontecera naquele lugar, a casa foi construída um pouco antes de nos mudarmos, nós estávamos felizes pelos 5 primeiros meses, só que meu filho mais novo começou a ter visões, a sentir coisas então resolvi orar por ele e algo aconteceu, ele gritou, e gritou muito alto, quando tirei ele da sua cama vi uma mancha de sangue, levantei sua blusa e algo havia mordido ele e percebi que havia coisas escrita em suas costas, algo como “ecce requiem animabus suis, ut comedat regno meo exaltare tormentorum.” isso significa :” eis que descanso e suas almas devoro para poder levantar o meu reino de tormento.”  tive muito medo e tratei de descobrir do que se tratava, fui á uma velha anciã da cidade ela era espírita e me disse o que aqui era e que havia um demônio, você deve achar estranho um pastor ir procurar uma espírita, mas eu fui, também não sei como mas fui! Quando descobri percebi que tinha que fazer algo ela havia me dito que sair de lá não ia adiantar, uma vez tocado pelo demônio, ia ser seguido onde quer que fosse! Percebi que teria que fazer um exorcismo, mas eu não tinha muita pratica nisso, eu havia feito uma ou duas vezes na minha vida toda, antes de sair da casa da velha senhora minha esposa ligou ela estava desesperada, no meio da conversa a ligação caiu, fui correndo pra casa e vi minha esposa e meus filhos mortos no banheiro das crianças, havia uma mensagem no espelho feita por sangue escrito “Diante de sua libertação uma criança com os pulsos cortados e deixando gotas de sangue por todos os lados virá até você e te mostrará um espelho refletindo seu corpo ensangüentado e toda dor que você nunca havia visto e ai você sentirá o cheiro da morte. Então, ela pegará em suas mãos pálidas e congeladas e te guiará ao submundo dela, assim te purificando e possuindo seu corpo e sua mente, fazendo com que você volte à vida como um ANJO CAÍDO. Quando me encontrar, vivo você não vai ficar. Não adianta de mim você não escapa”, quando vi aquilo queria sair correndo, mas não consegui algo havia agarrado uma de minhas pernas, minha mulher morta havia agarrado minhas pernas. A casa começou a pegar fogo do nada e fiquei desesperado, não sabia o que fazer me lembro de ter me agarrado em algo e feito força pra me livrar dela algo caiu na minha perna esquerda e a decepou, fui me arrastando até a porta da frente desmaiei quando cheguei lá, acordei em um hospital.

Ele mal terminou de contar a história e minha mãe me ligou desesperada perguntando onde eu estava, disse a ela e ouvi um grito a ligação caiu e entrei em pânico, corri até minha casa e estava tudo em silêncio, vi o Paul na rua e pedi pra ele ligar pra policia, ele disse que não ia adiantar que ligaria para o hospital, eu disse pra ele ligar pra qualquer lugar, contanto que alguém ajudasse. Fiz a pior besteira, entrei lá corri para cima e não vi ninguém, a escada do sótão esta abaixada, então eu subi até lá e vi meus pais mortos no sótão, ouvi um grito, o grito do meu irmão, vinha lá de baixo, eu desci desesperado, quando cheguei lá o vi com uma faca falando em uma língua estranha, ele veio em minha direção e me esfaqueou no ombro e depois na coxa, soltei um grito horrível de dor. Paul ligou para a policia. Eu consegui tirar a faca da mão de meu irmão, e a cravei bem no meio de sua testa, eu desmaiei. Levaram-me pro hospital, alguns dias depois sai de lá direto para o tribunal para meu julgamento, me consideraram culpado, mas também disseram que eu era louco que eu ia ficar internado neste sanatório pelo resto da minha vida.

- Eu penso pelo lado positivo, já se passaram 20 anos e até agora “ele” não veio atrás de mim. Talvez ele não siga a pessoa como disseram, ou talvez ele só siga quem for mordido. Tente sair de lá! Não posso te ajudar!

- Eu vou embora agora daquela maldita casa!

Quando ele volta ao seu quarto ele vê algo com olhos amarelos de baixo de sua cama. 4 horas depois é encontrado morto, com uma frase em latin em eu corpo que dizia “ecce requiem animabus suis, ut comedat regno meo exaltare tormentorum.”

Créditos á (jogosmacabros) & (vocetemmedodoescuro)

15/11/2011 | note 40 notas| Reblog |